13 de março de 2013

Fantasmas do Everest

O Everest, é o cume mais alto do mundo, com 8.848 metros sobre o nível do mar. Para chegar ao topo do Everest há numerosas vias abertas, Todas elas têm uma coisa em comum; a partir de 8.000 metros há que atravessar a chamada “zona morta”.No cume, a temperatura média é de -36º ainda que pode chegar a cair repentinamente até os -60º. As temperaturas mais quentes rondam os -19º em Julho.


Para chegar ao cume sai-se a meia noite do acampamento 4 e demora-se entre 10 e 12 horas em ascender os 1000 metros restantes, considerando-se as duas da tarde como a última hora segura para chegar no topo do mundo. Caso se chegue mais tarde, corre-se o risco de perecer sob o frio da noite ou cair pela ladeira ao descer.
Os últimos 850 metros à cume do Monte Everest é chamada “a zona da morte”, uma região onde a aclimatação é impossível. O oxigênio não pode ser substituído tão rápido como se consume e caso não se utilize tanques de oxigênio, o corpo vai se degradando lentamente até um ponto sem retorno.



Desde que se acede à zona morta, o escalador está pondo a sua vida em sério perigo, de forma que caso se venha abaixo pelo mal de altura, congelamentos, rompimentos…
e não pode se mover por si mesmo, é muito difícil efetuar um resgate. 

Se um indivíduo cai ao solo e incapaz de voltar a se levantar por suas próprias pernas, é impossível que um grupo de escaladores o arrastem até o tirarem da zona morta. Ao tentar, jogariam fora suas próprias vidas. Há que ter em conta que a essas alturas, para cada passo que se dá, um alpinista treinado pode precisar realizar três respirações, o coração se acelera inclusive em repouso para fornecer oxigênio com mais frequência devido a sua escassez.

Também não há helicópteros de resgate pois os helicópteros comuns não podem ascender a tanta altitude


Na foto, um helicóptero de fabricação russa que se acidentou no 2003 quando tratava de aterrar no acampamento base. Dois de seus 9 ocupantes morreram.
Além de que, o tempo que se pode permanecer na zona da morte é limitada pela falta de oxigênio de modo que se o afetado não consegue se levantar, há um momento em que seus colegas são obrigados a abandoná-lo ali mesmo a sua própria sorte.
Até o dia de hoje há cerca de 200 cadáveres no monte Everest (E aumentando), 150 nunca foram encontrados e os acessos ao cume estão crivados de cadáveres visíveis – mais de 40 – que têm ficado ao ar  livre no ponto exato onde caíram, no qual, os escaladores têm começado a batizá-los com nomes pois os usam como pontos de referência em sua escalada.
Se o risco que supõe tentar mover a um doente da zona morta faz que seja uma tarefa inviável, mover um cadáver é algo que quase ninguém se propõe.
Quando alguém falece, seu corpo fica no mesmo ponto onde caiu e quando se esfria, se congela petrificando-se com os gestos e postura exata que tinha quando expirou. Se estava sentado, fica ali mesmo sentado. Este foi o caso de Peter Boardman, que desapareceu em 1982 tentando a complicada rota norte-noroeste. Foi encontrado 10 anos depois sentado, como se estivesse dormindo.


Sentado para sempre no gelo, com os olhos abertos e o cabelo ondeando ao vento. Durante anos, quem tomavam a rota sul topavam-se com ele.


Dois nepalenses trataram de resgatar o corpo e morreram na tentativa. Finalmente, os ventos arrastaram os restos ladeira abaixo.


''O Saudador'' na mesma postura que caiu em 1997.

O mais famoso e um dos primeiros que se vêem é “o saudador”. Lhe apelidaram assim porque o cadáver ficou petrificado com um gesto de cumprimentar com as braços. Encontra-se ali desde o ano de 1997.

O segundo corpo mais famoso é o de “botas verdes”, chamado assim pelo vistoso cor fosforito do calçado que levava. “Botas verdes” era Tsewang Paljor, um xerife índio que pereceu pelo frio o 11 de Maio de 1996.
Paljor ascendia junto a outros colegas a 450 metros da cimeira quando foram surpreendidos por uma forte nevasca. Seis membros da equipe decidiram abortar enquanto Paljor seguia adiante com dois colegas.


Seu corpo foi encontrado prostrado na chamada “gruta de rocha”. Seus restos ficaram famosos por que todo mundo que acede pela rota sul, tinha que passar ao lado dele a menos de um metro, seguindo as cordas que se vêem na foto.
Ao lado de botas verdes ficou David Sharp, o caso que mais escândalo e indignação tem causado entre a comunidade alpinista.
Durante o dia 15 de Maio do 2006 realizava seu terceiro ataque ao cume. Tinha pago só 6.200$ por viajar com Asian Trekking até o acampamento base e desde ali tinha lançado várias acometidas em solitário, sem oxigênio, sem Xerpa, sem guia, sem rádio, sem medicamentos ou nenhum outro suporte vital. Isto é, que subia como quase em plano de laser, talvez com a intenção de bater algum record. 

A esquerda David Sharp e a direita Mark Inglis.

Não se sabe se conseguiu chegar ao cume ou não, o caso é que em seu descenso, a última hora da tarde, se veio abaixo e se sentou ao lado do cadáver de ''botas verdes'' para tentar recobrar fôlego. Os maus augúrios de estar sentado ao lado de um cadáver devem de ter sido tremendos já que como desvelou-se  depois, em todo momento era plenamente consciente de que estava agonizando lentamente e que ia acabar como ele enquanto outros escaladores passavam por diante sem sequer se deter para lhe prestar assistência. 

Gruta onde escaladores situam a morte de David Sharp.
Diante de David Sharp chegaram a passar dezenas de escaladores de uma expedição comercial sem se deterem. À uma da manhã, se encontrou com a expedição Brice liderada por Mark Inglis, um especialista em montanhas que tinha perdido as duas pernas por congelamento em 1982 e que agora subia o Everest com próteses metálicas.

Esta imagem acima não é real, é uma recriação da morte de David Sharp, na mesma postura que o encontraram e ao lado do cadáver de ''Botas Verdes''.

Monumento do campo base em memória de David Sharp.
Em 1924 uma expedição britânica chegou ao Himalaya, a expedição tinha como objetivo conquistar o Everest pela primeira vez. Por suposto a hora do chá sempre foi respeitada e a escassez de oxigênio não foi razão suficiente para deixar de fumar em cachimbo nos acampamentos intermediários. 

Um descanso para o tomar o chá.
Estes aventureiros marcaram uma meta na história da exploração do Himalaya. No dia 7 de junho Mallory e Irvine, partiram para a cimeira pela aresta nordeste. 
Última foto de Mallory e Irvine partindo do campo 4 para a cimeira pela zona Norte.
Depois da primeira jornada de marcha, o grupo atingiu os 8160 metros, onde instalaram o último acampamento, o C6. Depois, os auxiliares desceram. No dia seguinte Mallory e Irvine partiram para o cume.
Desde seu acampamento, Noel Odell seguia a progressão dos dois homens com um telescópio e uma câmara. Após aquilo nunca se soube mais de Mallory e Irvine. Nos dias seguintes Odell procurou-os desesperadamente. Subiu em duas ocasiões até o C6, mas não estavam ali. Ele estava seguro de ter visto superar o segundo degrau (ainda que com várias horas de atraso), pelo que sempre defendeu a tese de que antes de morrer, tinham atingido o topo.

Noel Odell seguindo a progressão dos dois homens com um telescópio.
O 1 de abril de 1999 uma expedição deslocou-se à vertente norte do Everest para tratar de encontrar os corpos de Mallory e Irvine, aproveitando o baixo índice de nevadas daquele ano.
Seu objetivo era dar uma resposta à pergunta que há 75 anos intrigava à comunidade alpinística mundial: Chegaram Mallory e Irvine ao cume do Everest em 1924?


Um mês depois a expedição encontrou por fim o corpo de Mallory. Estava em bom estado de conservação, de bruços, a uns 521 metros da cimeira.

O petrificado corpo congelado do escalador George Leigh Mallory encontrava-se numa ladeira do Monte Everest.

Monumento a George Mallory e Andrew Irvine.

Por alguma razão que seguramente alega a explicação científica, os corpos que ficam nos caminhos do Everest não terminam cobertos pela neve, permanecendo visíveis durante décadas. Talvez seja que os fortes ventos limpem a neve que cai sobre eles.
Outros muitos corpos continuam na Cume do Mundo, mostrando claramente o preço que tem um sonho.
Ainda que pareça incrível, isto é um cadáver que está no meio do acampamento 3, os alpinistas instalam as barracas e acampam como se o cadáver fosse parte da paisagem.
Uma expedição integrada por trinta Xerpas e um espanhol, Pablo Chertudi, tratou de limpar pela primeira vez a ''Zona da Morte'' do Everest. O objetivo: retirar da sagrada montanha as garrafas de oxigênio, restos de barracas, e lixo em geral emporcalhada ao longo da rota. Ademais, trataram de recuperar algum dos mais de 40 cadáveres que ficaram no caminho. 
O particular desta expedição é que desta vez ultrapassaram os 8.000 metros de altura para limpar a montanha. Calcula-se que os Xerpas recolheram aproximadamente duas toneladas de desperdícios (barracas, cordas de escalada, roupa, material de montanha...) que carregassem a suas costas, pelo que foram  obrigados a ascender em várias ocasiões à denominada ''Zona da Morte''. 
Os Xerpas, nativos da região, se lascando pra limpar a montanha...

...Como se suas vidas fossem menos importantes que a desses escaladores...

Não se sabem de quem são os cadáveres a seguir, verdadeiros fantasmas da montanha:







E fica a dica de um bom documentário Brasileiro sobre o Everest: "Everest 20 Anos". O documentário narra com depoimentos, fotos e vídeos, a primeira Expedição Brasileira com destino ao Monte Everest-Nepal (8.848 ms.), organizada em 1991 pelo montanhista Thomaz Brandolin. A equipe era composta pelo Paulo Coelho e Helena Guiro Coelho, Roberto Linsker, Ramis Tetu, Alfredo Bonini, Eduardo Vinhaes e Kenvy Chung. Para apoio e suporte logístico, foram contratados 06 sherpas locais (Ang Rita, Ang Nima, Phurba, Danu, Dawa e Tenji).  




fontes: http://www.taringa.net/posts/imagenes/13977069/Los-Cad-veres-del-Everest.html