24 de novembro de 2011

Montanhismo, escalada, estilo de vida...

A Paraíba vem mostrando grande potencial para prática deste esporte que faz a interação do homem com a natureza e mostra o quanto é prazeroso usufruir das belezas naturais que cercam o nosso país.


        “O homem sempre procurou as montanhas. Desde os tempos das cavernas, quando buscava abrigo, até os tempos modernos, quando começou a escalar por puro prazer.”
Tudo começou na cordilheira dos Alpes no Século XV, na Europa com expedições que buscavam atingir o cume de montanhas nunca antes visitadas, acabando com os mitos de que lá habitavam dragões e criaturas estranhas.
        No Brasil somente no Século XIX registraram-se as primeiras conquistas com caráter de pesquisa, pioneirismo e levantamento topográfico em nosso território, como a subida da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, de 842m de altura em 1828.
        O esporte de ascensão em montanhas de rochas se caracteriza por poder ser praticado por pessoas de qualquer faixa etária. É comum em países de forte tradição encontrar velhinhos, crianças e famílias inteiras desfrutando do ar puro das montanhas. Assim como o atletismo, o montanhismo possui diversas modalidades que se diferem pelo relevo, equipamentos utilizados, clima, espírito aventureiro e preparo físico e psicológico do montanhista.
        A escalada em rocha vem conquistando grandes adeptos por ser um esporte que, além de proporcionar o contato direto da natureza, desafia e intensifica o desejo de superação de obstáculos. Torna-se muito prazeroso passar por difíceis desafios para se chegar ao cume de uma rocha e sentir toda a energia que a natureza tem a nos oferecer.
       Para os iniciantes no esporte é importante fazer, inicialmente, um curso básico de escalada para se ter o conhecimento necessário sobre os equipamentos, técnicas de segurança e técnicas de ascensão. É importante ter muita atenção com os equipamentos utilizados para se evitar acidentes. Logo logo aqui no Blog anunciaremos um curso de escalada em rocha que sera realizado no próximos meses.
        Como o Brasil é riquíssimo em rochas de diferentes formas e tamanhos, o esporte vem se desenvolvendo bastante e atraindo atletas do mundo todo. Na região Nordeste não seria diferente, o esporte e a atividade junto às montanhas têm crescido, apresentando nas últimas décadas um significativo número de montanhas conquistadas, demonstrando a potencialidade da região para o esporte.
 
A Paraíba dispõe de uma enorme riqueza de recursos naturais para a prática da escalada em rocha, com várias formações rochosas distribuídas em toda a sua extensão. Já existem alguns lugares no Estado disponíveis para esta atividade esportiva, como: Pedra da Turuna (Mãe D'Água), Pedra do Picotes (São Mamede), Yayu (Santa Luzia), Pedra do Marinho (Campina Grande), Parque do Poeta (Campina Grande), Pedra do Banguelo (Caldas Brandão/Cajá - Mogeiro), Poço Escuro (Guarabira), e com maior destaque na Paraíba no que diz respeito à prática de escalada em rocha o Parque estadual da Pedra da Boca, localizado no Agreste Paraibano, distante 172 km da cidade de João Pessoa-PB, 100 km da cidade de Natal-RN e 22 km da sede do município ao qual o parque pertence (Araruna-PB).
 



     Pedra da Boca com 400 metros de altura

     
         Para os interessados no esporte há muita informação aqui no blog e em outros lugares na internet com dicas, lugares e equipamentos para começar a escalar.

21 de novembro de 2011

Escalando no Banguelo - Mogeiro - PB

Galera essa é uma matéria postada por nosso amigo Dagoberto em seu blog dagoivan.blogspot.com sobre suas conquistas e escaladas na Pedra do Banguelo. A pedra fica nas proximidades da BR 230 próximo a cidade de Mogeiro. Como um ponto de referência bastante conhecido é o restaurante Charque na Brase na BR. Segue a diga para a galera que quer esperimentar novas vias e conhecer novos lugares.

"No sabado, enquanto comia uma tripinha frita e uma favada, marcamos de ir escalar no domingo as 6:00 horas da manhã seguinte no banguelo.


Banguelo, a via Seleção Natural, fica um pouco a direita do ponto mais alto do cume. Foto: Maira

Domingo as 5 da mitinam fui acordado pelo Fabricio, o mesmo avisou que não iria porque seu joelho estava inflamado, liguei para Italo que informou que o pessoal de Campina não iria, liguei para Maira e Eduarda, as duas afirmaram que chegariam ao local no horário marcado.


Comi umas tapiocas, café, e suco de maracujá, e parti em direção a João Pessoa , pela BR 230, ao chegar no restaurante CHARQUE NA BRASA, dirigi mais um 300m e localizei a porteira azul que era o local informado para sair da BR e pegar uma estradinha de chão, não demorou muito as meninas chegaram, após passar por umas 5 porteiras, avistei a minha direita uma falésia amarela de uns 50m, bem vertical e acho até que negativa, acredito que ali tenha possibilidade de equipar ou conquistar umas viazinhas esportivas bem legais, fiquei instigado de retornar ao local e abrir uma trilha até o pé da falesia. Um pouco a frente, já se pode ver o Banguelo, ai é só pegar a direita na primeira bifurcação, e entrar na porteira que fica no ponto mais baixo do vale, estacionar o carro e seguir o caminho óbvio das trilhas de gado, que levam em direção ao Banguelo, seguir pelo pasto até o ponto mais alto da rocha ficar alinhado 90 graus a esquerda, neste momento, pegue o rumo a pedra e siga atravessando a caatinga, é bom levar um facão, pois não tem trilha definida neste trecho.


A via tem uma linha excelente, bem protegida, mas não é recomendavel cair nos primeiros 60m, pois tem muitos grampos de 3/8", inclusive no crux de VI,


Crux da via, peguei mais a direita para não arriscar uma queda nos grampos de 3/8" que protegem este lance.
para não arriscar cair depois de passar por estes finos grampos, não pude curtir o crux, escalei bem pela direita, onde tinham umas agarras quebradiças, inclusive quebrei umas e cai duas vezes


O sol bate na via o dia todo, menos bem no inicio da manhã, demos muita sorte e em vários momentos a sombra do céu nublado nos defendeu do sol causticante
.
Maira, Eduarda e Dagoberto, no cume do Banguelo.






Eduarda e Dagoberto, no retorno aos veiculos, só pensando em beber uma aguinha,  levamos pouca água, e minha lingua estava seca, grudando no céu da boca, a temperatura  acima dos 40 graus centigrados no momento da foto. Foto feita por: Maira

Segue algumas fotos da vias e das conquistas:





Croqui captado em orkut do pessoal do CMP
Nesta rocha existe ainda mais uma via, conquistada pelo Lula de João Pessoa, e tem toda aquela falésia amarela, aguardando ser equipada com vias esportivas, estou muito afim de retornar ao local."


Fonte: http://dagoivan.blogspot.com/2010/11/escalando-no-banguelo-mogeiro-pb.html
Dagoberto Vieira

Adpatado por: Richard Macedo





19 de novembro de 2011

Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada em Rocha

A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) aprovou na Assembléia Geral Extraordinária de 25/08/2007 o Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada. Este sistema foi desenvolvido pela FEMERJ e adotado pela CBME.
A adoção do sistema tem como objetivo unificar a nomenclatura e a sistemática de graduação de vias de escalada em rocha em todo o território nacional. No entanto, mesmo com a nomenclatura unificada, a medida do grau de uma via continua contando com fatores subjetivos e é influencida também pelo regionalismo. As vias são graduadas por comparação com a dificuldade de outras vias. Ou seja, isso é tema para saudáveis discussões entre os escaladores. Se uma via é um pouco mais difícil que outra, receberá uma graduação um pouco maior. E se é um pouco mais fácil, receberá uma graduação um pouco menor. Assim, por utilizar-se de critérios comparativos, a graduação das vias apresenta regionalismos. Ou seja, há áreas de escalada onde a graduação é "mais forte" e áreas onde é "mais fraca". Por exemplo, um VI grau numa determinada região pode ser mais forte (ou mais fraco) que em outro lugar.
Abaixo estão apresentadas algumas tabelas que comparam a graduação brasileira com as graduações de outros países. Pode-se observar que há pequenas diferenças entre essas tabelas. Por isso, deve-se lembrar que a graduação não é uma medida absoluta. O objetivo da graduação é simplesmente dar uma indicação aos escaladores da dificuldade enfrentada numa determinada via.








SITEMA BRASILEIRO DE GRADUAÇÃO DE VIAS DE ESCALADA

1 - Descrição do Sistema de Graduação

1.1 - Introdução

Uma das vantagens do sistema brasileiro é a menção dos graus geral e do lance mais difícil da via em separado, ao contrário do que acontece em sistemas como o americano e o francês, que tomam como grau de uma escalada apenas o grau do seu lance mais difícil.
O sistema aqui proposto procura manter esta e outras qualidades deste sistema e ao mesmo tempo acrescentar algumas inovações que o tornem mais atual e eficiente. Algumas destas mudanças são: a adoção oficial do sistema internacional em artificiais (o sistema antigo classificava oficialmente os artificiais em A1, A2 ou A3, embora na prática no Brasil já se adote há tempos a escala até A5), a nova subdivisão (a,b,c) para lances de dificuldade elevada (VIIa ou maior) e a adoção de um grau específico de exposição.
A graduação de uma via é composta aqui de duas partes principais: uma "central", de menção obrigatória, e outra de termos opcionais, que podem ser acrescidos conforme a riqueza de detalhes que se deseje passar.
A parte central é composta pelo grau geral, o grau do lance mais difícil e o grau do artificial, quando este existir. Os termos opcionais são o grau de duração, o grau de exposição, o número de passadas em artificial e o grau máximo "obrigatório" em livre. Todos estes itens são explicados abaixo.
Lembramos que na atribuição do grau a uma via considera-se que o escalador está guiando e escalando "à vista", isto é, sem conhecimento prévio da via.


1.2 - O Grau Geral

O grau geral tem o objetivo de expressar a soma de todos os fatores objetivos e subjetivos que traduzem a dificuldade de uma via. Trata-se de uma média das dificuldades técnicas encontradas ao longo da via, que por sua vez pode ser ajustada de acordo com os fatores subjetivos, caso estes tenham um peso relevante na dificuldade geral. Entre estes fatores estão: distância entre as proteções, periculosidade das quedas, exigência física, qualidade das proteções e da rocha, existência ou não de paradas naturais para descanso no meio das enfiadas e possibilidade de abandono do meio da via.
Como é influenciado por fatores subjetivos de toda a via, o grau geral pode eventualmente ser maior do que o grau do lance mais difícil. Isto acontece, por exemplo, em escaladas de lances fáceis porém com alto grau de exposição (ver exemplos ao final do texto).

Notação e uso:
a. Algarismos ordinais arábicos;
b. Não há subdivisões;
c. Colocado no início da graduação, podendo apenas ser antecedido pelo grau de
duração, quando este existir;
d. Sistema aberto para cima, podendo sempre receber um grau a mais do que o máximo grau existente em uma determinada época; e
e. Menção obrigatória.

Escala:
1°, 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7°, 8°,...


1.3 - O Grau do Lance mais difícil:

Trata-se do grau do lance ou seqüência mais difícil de toda a escalada, ou grau do crux. Pode ser apenas uma passada ou uma seqüência, isto é, um conjunto de lances entre dois pontos naturais de descanso da via. Este grau também é influenciado pelo nível de exposição (um lance difícil longe do último grampo tende a ter graduação mais alta do que o mesmo lance bem protegido), embora o fator dificuldade técnica prevaleça.

Notação e uso:
a. Algarismos romanos;
b. Subdivisões: "sup" até VIsup, e "a, b, c" acima de VIsup. As subdivisões são escritas logo após o algarismo, em minúsculas e sem espaçamento;
c. Posicionado logo após o grau geral, deixando-se um espaço entre eles, e antes do grau do artificial;
d. O sistema é aberto para cima; e
e. Menção obrigatória.

Escala:
I, Isup, II, IIsup, III, IIIsup, IV, IVsup, V, Vsup, VI, VIsup, VIIa, VIIb, VIIc, VIIIa,
VIIIb, VIIIc, IXa,...

Obs: Além de ser usada na classificação de vias, a notação em romanos deve ser sempre utilizada para a descrição de lances de escalada isolados. A indicação da dificuldade de cada lance nos desenhos dos croquis de vias e o relato escrito de detalhes de escaladas ("...tal escalador passou por uma fenda de VI...") são dois exemplos onde se deve escrever o grau em romanos e não em arábicos.


1.4 - Vias de uma enfiada de corda, falésias e boulders

Para estas vias não há sentido em se atribuir um grau geral e um grau para o lance mais difícil, uma vez que são vias curtas, de comprimento máximo de 50 ou 60 metros. Então o grau geral é abolido, e utiliza-se somente o grau do lance ou seqüência mais difícil, em romanos, para expressar a sua dificuldade. As vias muito curtas, por serem normalmente mais difíceis, não costumam possuir pontos naturais de descanso – neste caso a via inteira é uma seqüência única a ser graduada.
Esta graduação é válida para boulders, falésias e vias curtas em geral, e a notação e a escala já foram descritas acima. Seguem abaixo alguns exemplos de escaladas deste tipo pelo Brasil:
- O Tempo Não Para (Galpão de Pedra, Caçapava do Sul / RS) - VIsup
- Ácido Nítrico (Falésias dos Ácidos, Urca / RJ) – VIIIa
- Corações e Mentes (Mo. Da Pedreira, S. do Cipó / MG) - IIIsup
- Asterix (P. da Ana Chata, S. Bento do Sapucaí / SP) - VIIa
- Grampeleta (Boulder Principal, Serra Caiada / RN) - VIsup


1.5 - O grau máximo obrigatório em livre

O grau de uma via de escalada é o seu grau mais em livre possível. No entanto, um escalador cujo nível técnico esteja abaixo dos lances mais difíceis de determinada escalada pode ter condições de repeti-la se subir tais lances em artificial, utilizando para isso as proteções como pontos de apoio. Embora este não seja o melhor estilo de se repetir uma via, muitas vezes é o estilo possível para quem (ainda) não consegue fazê-la totalmente em livre.
Por este motivo, na hora de graduar uma via, alguns escaladores gostam de mencionar o grau máximo "obrigatório" em livre da escalada, isto é, aquele que, mesmo utilizando as proteções como ponto de apoio, o escalador necessariamente tem que conseguir guiar em livre para repeti-la. Neste caso o "novo crux" passa a ser mais baixo, substituindo o crux real na graduação. O crux real é mencionado entre parêntesis, junto com a indicação do artificial que o substitui.
Por exemplo: Suponha que numa via de 3° VIsup o lance de VIsup possa ser subido pisando-se em duas das proteções (artificial A0, portanto), fazendo com que o grau máximo em livre passe a ser IV. O grau desta via pode ser expresso então como 3° IV (A0/VIsup).
Isto é, a via é de 3° grau, o crux é de VIsup e caso este seja feito em artificial A0 o novo crux (grau obrigatório) passa a ser IV. O termo entre parêntesis (A0/VIsup) significa "ou você faz um A0 ou faz um VIsup".
Outra aplicação para esta forma de graduação está em vias conquistadas com trechos em artificial e que com o passar dos anos foram feitas em livre, mas que conservam a grampeação original do antigo artificial.

Notação e uso:
a. O "novo crux" é colocado depois do grau geral, em substituição ao crux real;
b. A seguir coloca-se entre parêntesis o grau do artificial, uma barra e o grau do crux real, sem espaçamento entre eles; e
c. Uso opcional.


1.6 - O grau do artificial (A)

Entende-se por artificial o uso de meios não naturais (ou pontos de apoio artificiais) para progressão numa escalada.
O grau adotado aqui segue o sistema internacionalmente mais utilizado, indo de A0 a A5, e possuindo subdivisões ("+"). Apenas o A0 recebe uma definição um pouco diferente em relação a outros países. Quanto ao grau reservado para (futuras) escaladas mais difíceis do que A5, adota-se aqui o A5+ em vez de A6, para se manter uma lógica sequencial, a exemplo de algumas publicações como o já citado "Mountaineering – the freedom of the hills".
O grau do artificial de uma via é o grau da sua enfiada mais difícil, e não uma média dos diferentes trechos em artificial.
Quando o artificial possui poucos pontos de apoio, pode-se desejar mencionar a quantidade destes pontos. Neste caso, coloca-se o número de pontos de apoio entre parêntesis, logo depois do grau. Ex: 4° V A1(3) ou 4° V A2+(2).
Quanto a via possui trecho em cabo de aço, adiciona-se a letra "C" ao final. Ex: 4° V C.
Convém comentar que a graduação de artificiais leva em conta principalmente a qualidade das colocações que seguram o escalador e o tamanho da queda em potencial. Assim sendo, é possível a existência de artificiais com poucas passadas mas de graus elevados. Por exemplo: uma sequência de 4 ou 5 copperheads e rurps fragilmente colocados após um longo lance de escalada em livre sem proteção pode vir a receber um grau alto, apesar de ser um trecho curto.
Artificiais fixos podem ser A0 ou A1, conforme sua extensão. Artificiais de cliff são sempre maiores do que A1, variando conforme a distância da última proteção sólida e a dificuldade de progressão. Estes fatores também se aplicam ao material móvel em geral.

Notação e uso:
a. Letra A maiúscula seguida de numeração de 0 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número;
b. Subdivisões: "+", colocado após o número sem espaçamento;
c. Posicionado depois do grau do lance mais difícil e antes do grau de exposição (E), caso exista;
d. No caso de cabos de aço, letra C maiúscula, posicionada depois do lance mais difícil ou do artificial (A), caso este exista, e antes do grau de exposição (E), caso exista;
e. O número de pontos de apoio vem em arábicos, colocado entre parêntesis logo após o grau do artificial, sem espaçamento. Seu uso não é obrigatório; e
f. O grau do artificial é de uso obrigatório;

Escala:
A0: Pontos de apoio sólidos ("à prova de bomba") isolados ou em uma curta sequência, com pouca exposição; pêndulos; uso da proteção para equilíbrio ou descanso; e tensionamento da corda para auxílio na progressão;
A1: Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas elas fáceis e seguras, em uma seqüência razoavelmente longa;
A2: Colocações de material móvel geralmente sólidas porém mais difíceis. Algumas colocações podem não ser sólidas, mas estarão logo acima de uma boa peça. Não há quedas perigosas.
A2+: Como o A2, mas com possibilidade de mais colocações ruins acima de uma boa. Potencial de queda aproximado de 6 a 9 metros, mas sem atingir platôs. Pode ser necessária uma certa experiência para encontrar a trajetória correta da escalada.
A3: Artificial difícil. Possui várias colocações frágeis em seqüência, com poucas proteções sólidas. O potencial de queda é de até 15 metros, equivalente ao arrancamento de 6 a 8 peças, mas geralmente não causa acidentes graves. Geralmente são necessárias várias horas para guiar uma enfiada, devido à complexidade das colocações.
A3+: Como o A3, mas com maior potencial de quedas perigosas. Colocações frágeis, como cliffs de agarra em arestas em decomposição, depois de longostrechos com proteções que agüentam somente o peso do corpo. É comum que escaladores experientes levem mais de três horas para guiar uma enfiada.
A4: Escaladas muito perigosas. Quedas potenciais de 18 a 30 metros, com perigo de se atingir platôs ou lacas de pedra. Peças que agüentam somente o peso do corpo.
A4+: Como o A4, mas são necessárias várias horas para cada enfiada de corda. Cada movimento do escalador deve ser calculado para que a peça onde ele se encontra não seja arrancada apenas com o peso do seu corpo. Longos períodos de pressão psicológica.
A5: Este é o extremo, sob o ponto de vista técnico e psicológico. Nenhuma das peças colocadas em toda a enfiada é capaz de segurar mais do que o peso do corpo, quando muito. As enfiadas não podem possuir proteções fixas nem buracos de cliff.
A5+: Como um A5 em que as paradas não são sólidas. Qualquer queda é fatal para todos os componentes da cordada. Até o presente não se conhece nenhuma via de escalada com essa graduação.


1.7 - O Grau de Duração (D)

Expressa o tempo de duração da via quando repetida à vista por uma cordada que tenha prática nas técnicas exigidas e que tenha segurança no grau da via. A escala utilizada é a internacional, tendo a notação sido modificada para maior clareza, já que aquela escala utiliza os mesmos algarismos romanos que aqui utilizamos para o lance mais difícil da via.
Assim sendo, os graus I, II, III, etc utilizados no exterior equivalerão no sistema brasileiro aos graus D1, D2, D3, etc, sendo o D de "duração".
O grau de duração da via só considera a ascenção, não incluindo o tempo de retorno, seja ele feito por rapel ou caminhada.

Notação e uso:
a. Letra D maiúscula seguida de numeração (de 1 a 7), em arábicos, sem espaçamento
entre a letra e o número;
b. Posicionado no início do grau da via, antes de todos os outros fatores; e
c. Utilização opcional.

Escala:
D1: Poucas horas de escalada;
D2: Meio dia de escalada;
D3: Um dia quase inteiro de escalada;
D4: Um longo dia de escalada;
D5: Requer uma noite na parede. Cordadas muito velozes podem repeti-la em um
dia;
D6: Dois dias inteiros ou mais de escalada. Normalmente inclui longos e
complicados trechos de escalada artificial; e
D7: Expedições a locais de acesso remoto com longa aproximação e muitos dias de
escalada.


1.8 - O grau de exposição (E)

O grau de exposição de uma via procura expressar seu o grau de comprometimento psicológico. Como visto anteriormente, a exposição está incluída, junto com outros fatores, no grau geral da escalada. No entanto, a sua menção específica em separado é uma informação muitas vezes importante, principalmente em se tratando de escaladas em ambiente de montanha, e muitos escaladores optam por utilizá-lo na graduação das vias.
A primeira vez que um termo que expressasse exclusivamente o grau de exposição foi utilizado ocorreu com o lançamento do Guia de Escaladas dos Três Picos (1998), por Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli. Os autores criaram um sistema fechado com 5 subdivisões, e que teve repercussão bastante positiva por parte da grande maioria dos escaladores que utilizaram aquela publicação como fonte de informações sobre as escaladas de Salinas (Friburgo), região incluída no guia. Como resultado, decidiu-se nos seminários incluir este grau no sistema.
Os fatores considerados aqui são principalmente a distância e a qualidade das proteções e o risco de vida em caso de queda, mas também a dificuldade técnica dos lances (embora este fator tenha menor peso).
Este grau diz respeito apenas à parte de escalada livre da via. A exposição dos trechos em artificial está incluída no grau do artificial.

Notação e uso:
a. Letra E maiúscula, seguida de numeração de 1 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número;
b. Posicionado ao final do grau da via, depois de todos os outros fatores; e
c. Sua utilização é opcional.

Escala:
E1: Vias bem protegidas (ex: a maior parte das vias do Anhangava/PR, Cuscuzeiro/SP, Lapinha/MG e Coloridos, Urca/RJ)
E2: Vias com proteção regular (ex: vias do Morro da Babilônia, na Urca/RJ e Serra do Lenheiro/MG);
E3: Proteção regular com trechos perigosos (ex: vias na Serra dos Órgãos/RJ e Pedra do Baú/SP);
E4: Vias perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Marumbi/PR);
E5: Vias muito perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Cinco Pontões/ES).


2) Exemplos de aplicação do sistema:

- Suponhamos que uma determinada via seja curta (uma enfiada de corda ou mesmo um boulder), e a sequência mais difícil seja VIIb. O grau da via é então VIIb.
- Suponhamos agora que essa via tenha na verdade duas ou mais enfiadas. Então o grau médio dos lances da via deve ser aferido, e ajustado um pouco para cima (ou não) conforme a exposição, exigência física e outros fatores subjetivos. Suponhamos que esse grau seja 5°. Então o grau da via é 5° VIIb.
- Mas no meio da via há um artificial de cliffs graduado em A2. Grau: 5° VIIb A2.
- Se esse artificial constituir de apenas três pontos de apoio, você pode querer explicitar isso. Solução: 5° VIIb A2 (3).
- Suponhamos que a via não tenha artificial nenhum, pois é feita em livre. Como vimos acima, seu grau é então 5° VIIb. Mas o crux (VIIb) tem a possibilidade de ser feito em artificial segurando em um ou dois dos grampos de proteção (um A0, portanto), e aí o lance mais difícil passa a ser um Vsup. Você pode informar isso na graduação da seguinte forma: 5° Vsup (A0/VIIb).
- Bem, acontece que esta via é particularmente exposta (um E4), e embora isto já tenha influenciado o grau geral você pode querer dar a informação em separado. Então o grau da via é 5° VIIb E4. E se houver o artificial A2, 5° VIIb A2 E4.
- E finalmente a via em questão é tão longa e trabalhosa que se trata de um big wall, e uma cordada normal levará dois dias para repetir. O grau é então: D5 5° VIIb A2 E4.
Em suma: O grau pode ser expresso de maneira tão simples como VIIb ou tão extensa como D5 5° VIIb A2 E4, conforme as características da via e os objetivos de quem a gradua.
Mas na prática, a maioria das vias só requer mesmo o uso de dois termos: o grau geral e o crux.

Seguem abaixo outros exemplos:

VIsup - Via de uma enfiada, boulder ou falésia cujo crux é VIsup.

D2 4° VIsup A2 E2 - Via de grau médio (geral) 4° , crux VIsup e artificial A2 cujo grau de exposição é E2 (grampeação regular) e a duração é D2 (meio dia de escalada).

IV E3 - Via curta de crux IV grau e exposição regular com trechos perigosos (E3).

3° IVsup (A0/VI) - Via de 3° grau com crux de VI, mas cujo crux obrigatório é IVsup.

D6 7° VIIb A3+ E4 - Via de 7° grau com crux de VIIb e artificial A3+ que tem grau de exposição E4 (via perigosa) e duração de alguns dias.

5° IV - Via de 5° grau cujo crux é de IV grau.

5° IV E4 - Pode ser a mesma via anterior, mas decidiu-se tornar explícito o grau de exposição. Note que o alto grau de exposição desta via faz com que o grau geral seja maior do que o do crux.

Graduação de algumas vias no Brasil pelo sistema:

Entre o Sol e a Lua (Casa de Pedra, Bagé, RS) - 5° V
O Dia da Marmota (P. do Cuscuzeiro, Analândia, SP) - 5° VIsup
Tragados pelo tempo (Corcovado, RJ) – D5 6° VIsup A3+
Ópera Selvagem (Sa. Do Lenheiro, S. J. del Rei, MG) - 4° V
Infarto Neurológico (Ibitirati, PR) - 6° VIsup A2 E4
Agulha do Diabo (Serra dos Órgãos, RJ) - 3° IIIsup A1 C
Universo Paralelo (Pa. do Pântano, Andradas, MG) – 6° VIIc
Los Encardidos (Marumbi, PR) – D5 6° VI A2
Tente Outra Vez (Torres – RS) – VI
Alcatraz (Serra Caiada, RN) - 5º VIIa E2
Face Leste do Pico Maior (Friburgo, RJ) - 5° IVsup E3


O sistema de graduação está disponível também no link a seguir:
Sistema Brasileiro de Graduação de Vias de Escalada em Rocha

fonte: http://robertolacaze.blogspot.com